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Mulheres superam preconceitos para se tornarem campeãs no fisiculturismo

Suelyn Ferreira (E) e Noeli Gonçalves são dois exemplos entre tantos outros na cidade, que deixaram o preconceito para trás para virarem exemplos no esporte | Fotos: Divulgação

A cada ano que passa o fisiculturismo tem subido de patamar rapidamente e ganha cada vez mais adeptos no Brasil.

Apesar do crescimento constante, o esporte que exige muita disciplina e determinação ainda é cercado de preconceitos e barreiras culturais.

Embora as mulheres estejam conquistando seu espaço em uma modalidade praticada majoritariamente por homens, elas ainda convivem com o preconceito.

Para alcançar corpos esculturais e definidos, as atletas enfrentam uma rotina desgastante, com academia, alimentação diferenciada, competições, dieta e exercícios.

O estilo de vida acaba atraindo olhares por onde passam, alguns de admiração, outros de julgamento.

Em Jaraguá do Sul, por exemplo, são inúmeras mulheres que buscam desenvolver o próprio corpo e superar os limites de força.

Noeli tem longa trajetória no fisiculturismo | Foto: Divulgação

É o caso de Noeli Gonçalves, de 34 anos. Descontente com seu corpo após quase chegar a obesidade, ela encontrou no fisiculturismo a forma ideal de migrar para uma vida saudável.

De 2011 para cá, ela deixou o sedentarismo para trás e virou destaque ao vencer dois campeonatos na categoria Wellness, voltada para um corpo não tão musculoso, mas sim bem “desenhado”, com baixa gordura e medidas proporcionais.

Foto: Divulgação

Os feitos só foram alcançados através de muita dedicação. Afinal, sua rotina de acordar todo dia às 6h, fazer aeróbico em jejum, trabalhar, preparar as marmitas, e treinar de cinco a seis vezes por semana, não é para qualquer um.

Mas é justamente essa força de vontade que a ajudou a superar o preconceito, que segundo ela, ainda existe, mas diminuiu graças a popularização da modalidade.

“Às vezes eu escuto na academia: Não quero ficar assim tão forte (risos). Mas muitas pessoas falam da admiração, pois sabem que não é fácil manter uma rotina regrada de trabalho, treino e dieta. O preconceito pode existir, mas no final os elogios superam as críticas”, destaca Noeli.

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Obstáculos para se tornar uma campeã

Outro exemplo de superação no esporte vem de Suelyn Ferreira, de 30 anos. Após começar a treinar em 2013, ela entrou no mundo das competições dois anos depois e sofreu com preconceito logo no início.

“Ninguém acreditava, até falaram que eu nunca ia conseguir, duvidando da minha capacidade”, conta.

Mas a jaraguaense tirou do negativismo uma motivação para seguir em frente, mesmo com dois grandes abalos que viriam à tona tempos depois.

Foto: Divulgação

Em 2016, sofreu uma grave lesão na coluna e chegou a ficar 15 dias sem andar. Quando voltou a competir um ano depois, teve problemas com suas próteses mamárias e precisou retirá-las.

“O psicológico abalou completamente, foi uma fase bem difícil de sair, mas venci mesmo com pessoas falando que eu jamais iria ganhar ou poder competir na minha categoria, porque eu não tinha peito”, recorda.

E foi exatamente o que Suelyn fez. Contra todos prognósticos, ela voltou a competir em 2018 e se tornou campeã Wellness, superando qualquer preconceito envolto ao esporte.

“Foi incrível e emocionante, pois eu já era campeã da minha própria história. Esse esporte me resgatou da depressão, me fez entender o que é disciplina, organização e viver a minha melhor versão, além de mostrar o tamanho da minha força e determinação que eu nem sabia”, destaca.

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Mãe, esposa, atleta, empresária e personal trainer, Suelyn segue o exemplo de Noeli e vive uma rotina intensa de atividades dentro e fora de casa.

Até por essa vida agitada e para quem precisou derrubar vários obstáculos pelo caminho, o preconceito contra mulheres no fisiculturismo já não a incomoda mais, mesmo reconhecendo que ainda exista nos dias de hoje;

“Muitos acham feio, masculino. Escuto isso várias vezes, principalmente quando estou na fase de competições. Eu entendo e não julgo, mas não preciso aceitar. Muitas pessoas falam por influência e tenho certeza que se todas tivessem a oportunidade de ouvir a história de um atleta, iriam entender e nunca mais julgariam, passando a admirar, mesmo não achando bonito fisicamente”, finaliza.

Foto: Divulgação

Dicas para começar no fisiculturismo

A personal trainer e atleta Suelyn Ferreira deixou algumas dicas e conselhos para quem quer começar no esporte. Confira:

  • Tenha ação, saia do ponto zero agora. Não pense nas condições ou nas dificuldades. O primeiro passo é começar;
  • Esteja preparada, pois a dieta, treino serão seu segundo trabalho. Terá que se doar 100% e manter a consistência;
  • Entenda que tudo que causa desconforto te faz crescer e te deixa cada dia mais forte. Fuja do comodismo, seja para competir ou cuidar da sua saúde;
  • Resultados levam tempo, exige muito por muito tempo. Mas o resultado final não será só no seu físico, mas sim na pessoa que irá se transformar de dentro para fora.

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