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Futebol

Com jaraguaense no elenco, Brasil conquistava o tricampeonato mundial há 50 anos

Natural de Jaraguá do Sul, goleiro Ado (ajoelhado, primeiro da direita para esquerda) foi campeão da Copa de 1970 | Foto: Divulgação

Há exatos 50 anos, o estádio Azteca, no México, assistia à uma final marcante de Copa do Mundo.

No dia 21 de junho de 1970, a seleção brasileira de futebol conquistava seu terceiro título mundial ao golear a Itália por 4 a 1, em uma partida que é até hoje lembrada como um dos maiores exemplos de “futebol arte”.

Mas o que pouca gente sabe é que naquele elenco estrelado do Brasil estava um jogador natural de Jaraguá do Sul.

O goleiro Eduardo Roberto Stinghen, mais conhecido como Ado, fez parte do feito histórico, ao lado de craques como Pelé, Rivelino, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Tostão, Gerson, Jairzinho, entre outros.

Conhecido como ‘galã’ da seleção de 70, Ado foi reserva do goleiro Felix I Foto: Divulgação

O jaraguaense chegou à seleção após se destacar pelo Corinthians, sendo convocado pelo técnico João Saldanha.

Mesmo com a saída do treinador pouco antes do Mundial, o substituto Mario Jorge Lobo Zagallo manteve Ado na lista para Copa do Mundo.

Com o titular Felix atormentado por lesões, o jaraguaense esteve na formação principal em todos os amistosos e tinha grandes esperanças de manter a posição no Mundial.

Porém, Felix se recuperou a tempo e Zagallo optou pelo experiente e já experimentado goleiro de 32 anos na época ao invés de apostar no talentoso, mas jovem Ado, de 23 anos.

Foto: Divulgação

Decepção? Jamais. Para Ado, estar no grupo que conquistou o mundo era o mais importante.

“É difícil descrever a felicidade que tivemos, mas conhecer craques do futebol mundial como Pelé, Gerson, Rivellino, entre tantos outros, foi surreal. Não conseguia acreditar”, declarou.

A legião de craques levou o Brasil a fazer uma campanha perfeita no Mundial. Na fase de grupos, vitórias sobre a Tchecoslováquia (4×1), Inglaterra (1×0) e Romênia (3×2).

Os 100% de aproveitamento se manteve no mata-mata, com os triunfos para cima do Peru (4×2), nas quartas de final, Uruguai (3×1), na semifinal, e Itália (4×1), na decisão. Foram incríveis 19 gols marcados e apenas sete sofridos.

“Fomos nos conhecendo aos poucos e aquele grupo tinham pessoas maravilhosas, com um ajudando o outro, tanto que chegamos ao título, algo que jamais esquecerei”, ressaltou Ado.

Time titular da seleção brasileira. Em pé, da esquerda para a direita: Carlos Alberto, Brito, Piazza, Félix, Clodoaldo e Everaldo. Agachados: Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé e Rivelino | Foto: Public Domain/Wikipedia/Reprodução

Carreira de Ado no futebol

Nascido em 1946, Ado deixou Jaraguá do Sul aos 7 de anos de idade, após o pai Júlio Schmitt Stinghen, professor de língua portuguesa, ser transferido para um colégio em Londrina (PR).

Por lá, ele começou sua trajetória nos gramados através da Escolinha de Futebol do Londrina Esporte Clube.

Destaque pela boa colocação, agilidade e reflexo, ele marcou seu nome na base do Tubarão e se profissionalizou em 1964, com apenas 16 anos.

A partir daí, a ascensão foi meteórica. Em 1969 acabou sendo contratado pelo Corinthians e assumiu rapidamente a titularidade no lugar de Lula.

Com uma temporada esplendorosa e decisivo principalmente em clássicos paulistas, o jaraguaense chegou à seleção brasileira até ser tricampeão mundial.

Foto: Divulgação

Depois do título no México, ele voltou ao Corinthians e atuou até 1974, fazendo um total de 205 jogos.

Mas uma série de lesões no punho passaram a prejudicar sua carreira. Com o fim do vínculo junto ao alvinegro, ele passou por outros sete clubes, como América (RJ), Atlético-MG, Portuguesa (SP) e Fortaleza, até penduras as chuteiras em 1984.

Com a aposentadoria, ele teve a oportunidade de seguir no futebol após o convite de alguns clubes para ser técnico, mas preferiu tomar o caminho dos negócios.

Como empresário, fez de tudo um pouco. Abriu indústria, restaurante, pizzaria e, mais tarde, uma rede de escolinhas de futebol em São Paulo, juntamente com Rivellino.

Aposentado há dois anos, o jaraguaense mantém residência na capital paulista. “Me aposentei na hora certa e hoje sou babá de neto”, brinca.

DNA para o futebol

O futebol é uma questão de gerações na família do ex-goleiro. O amor de Ado pelo esporte serviu de exemplo para parentes que tem o futebol como DNA. O primeiro a seguir seus passos foi o primo por parte de pai, Sandro Luís Schmitt, o Toto.

Revelado e artilheiro no Juventus, o ex-atacante teve sucesso na década de 90 em outros clubes brasileiros como Flamengo, jogando ao lado de Zico, além de Cruzeiro, Paraná, Fortaleza, entre outros.

Atualmente, a família é representada pelo sobrinho Filipe Luís, com quem ele soube do parentesco há poucos anos.

“O Filipe é da família Stinghen (parte da mãe Teresa), mas não sabia que ele era meu sobrinho. Meu neto me avisou. Minha família é muito grande na cidade, mas quando soube disso fiquei ainda mais orgulhoso. Ter uma família ligada ao futebol é algo mágico”, destacou.

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